Lavagem de dinheiro no Vaticano. Bispo foi preso

Dois dias depois do papa Francisco ter criado uma Comissão de Investigação sobre o Banco do Vaticano (IOR), a Procuradoria de Roma ordenou a prisão do bispo, nascido em Salerno, monsenhor Nuncio Scarano, do carabiniere Giovanni Maria Zito – ex-funcionário do serviço secreto italiano – e do broker Giovanni Carinzo. Os três acusados de corrupção e roubo de divisas, caso relacionado com o mesmo Instituto de Obras da Religião.

As prisões, praticadas pela Guarda de Finanças – a poderosa polícia fiscal da Itália, a PF fiscal de lá – aconteceram duas semanas depois de monsenhor Scarano ter sido implicado numa investigação sobre lavagem de dinheiro.

Isto motivou seu afastamento, há quinze dias atrás, determinado pelo Papa Francisco, do serviço de contabilidade do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA) – ou Patrimônio de São Pedro – imobiliária gestora dos aluguéis do imenso patrimônio imobiliário do Vaticano, distribuído nas principais cidades do primeiro mundo. O problema estaria já mencionado no dossiê que motivou a renúncia do Papa Bento 16, e foi por ele entregue ao Papa Francisco em Castel Gandolfo – no seu primeiro encontro pós eleição a 24 de março passado.

Hoje, o jornal italiano diário La Repubblica informa que a Procuradoria descobriu um acordo entre o bispo Scarano e seu amigo policial Zito para trazer de volta ao Vaticano – desde a Suíça, 20 milhões de euros (perto de 60 milhões de reais) em dinheiro vivo, fruto de evasão fiscal, pertencentes a amigos do prelado. Tudo seria feito em segredo, a bordo de um jatinho particular…

Pelo servicinho – o policial Zito teria recebido 400 mil euros. A atividade ilícita de importação de capitais na Itália, abortada pela Procuradoria de Roma, envolvia também os armadores navais Paolo, Cesare e Maurizio D’Amico, todos de origem na cidade de Salerno, ao sul de Nápoles.

Carenzio era broker internacional, com sua corretora nas ilhas Canárias – reino da Espanha – onde também responde por fraude fiscal e apropriação indébita. Na Suíça, Carenzio custodiava o dinheiro da conta dos D’Amico. Descobertos, queriam repatriar para o IOR, desde a Suiça, 40 milhões de euros, reduziram a soma à metade.

Monsenhor Scarano era conhecido em Roma, nos meios financeiros e imobiliários, como Monsenhor 500. Isto porque sempre pedia para trocar – com seus conhecidos – notas de 500 euros por valores menores. 500 euros é o equivalente a R$ 1500.

Isto provocou a investigação da Procuradoria de Roma de que o prelado lavava dinheiro, pois é mais fácil transportar grandes valores usando as maiores notas disponíveis em cada moeda.O bispo Sacarano, através de seus advogados, os famosos professores Silverio Sica e Franco Coppi, nega tudo.

Quarta feira passada, 26, o papa Francisco ordenou a criação de comissão para desvendar os mistérios do banco do Vaticano. O presidente do banco, Ernest Von Freyberg (foto) – ainda nomeado por Bento 16 e mantido até agora pelo papa Francisco – disse que vai colaborar com as investigações, dentro da atual política da Santa Sé de tolerância zero com a corrupção.

A comissão presidida pelo venerável cardeal Raffaele Farina (foto), de 80 anos, tem o objetivo de reformar o banco IOR para que os princípios do Evangelho impregnem também as atividades de caráter econômico e financeiro da Igreja Católica, conforme o texto assinado pelo Papa Francisco.

Jornais, magistrados e advogados romanos dizem que o caso é apenas a ponta de um iceberg. Mas o determinado Papa Francisco parece disposto a desmanchá-lo…

facebook comments:

Deixe seu comentário

(não será publicado)

*


Vivaweb Internet Todos os Direitos Reservados Margarita Sem Censura